REVISÃO DO CNIS LIBERADA! VALE PRA APOSENTADOS E QUEM AINDA NÃO SE APOSENTOU!

Também chamado de Extrato Previdenciário, o CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) é, na prática, o documento mais relevante dentro do INSS.

Ele deveria representar fielmente toda a sua trajetória profissional e previdenciária. Em outras palavras, o CNIS precisa reunir todos os seus vínculos de trabalho e contribuições feitas ao INSS ao longo da vida, servindo como base para pedidos de aposentadoria e demais benefícios.

Quando o CNIS está correto, o processo no INSS costuma fluir com mais facilidade. Já um CNIS com falhas quase sempre significa atrasos, exigências e prejuízo financeiro.

Por isso, neste conteúdo você vai entender em detalhes: o que é o CNIS, como consultá-lo online, como analisá-lo, quais são os erros mais comuns e quais caminhos existem para fazer a correção.


O que é o CNIS?

CNIS é a sigla para Cadastro Nacional de Informações Sociais, também conhecido como Extrato Previdenciário ou Extrato de Contribuições.

Trata-se de um banco de dados mantido pelo INSS que reúne informações sobre vínculos empregatícios, remunerações e contribuições previdenciárias, abrangendo:

  • Registros de emprego a partir de 1976;
  • Contribuições como autônomo (contribuinte individual) desde 1979;
  • Valores de salários e contribuições a partir de 1990.

Portanto, o CNIS deve refletir com fidelidade a sua vida trabalhista.

É a partir dele que o INSS apura tempo de contribuição, carência e calcula o valor da aposentadoria ou de outros benefícios.


Para que serve o CNIS?

Como o CNIS espelha a trajetória profissional do segurado, ele é utilizado pelo INSS como principal referência para conceder aposentadorias e benefícios previdenciários.

Por exemplo: quando o INSS precisa verificar se alguém já atingiu o tempo mínimo exigido, a primeira fonte consultada é justamente o CNIS.

O problema é que nem sempre esse cadastro está completo ou correto.

Por isso, acompanhar o CNIS regularmente é fundamental. Um erro muito comum é só olhar esse documento quando a aposentadoria já está próxima.

Isso costuma gerar dificuldades, porque corrigir vínculos recentes é muito mais simples do que resolver falhas antigas, quando documentos já se perderam.

Justamente para evitar esse cenário, veja agora como consultar seu CNIS pela internet.


Como consultar o CNIS online?

O acesso ao CNIS é feito pela plataforma Meu INSS. Para isso, é necessário criar cadastro e entrar com login e senha.

Depois de acessar o sistema, basta digitar “CNIS” na barra de busca.

Em seguida, selecione a opção Extrato de Contribuições (CNIS).

O sistema exibirá uma versão online do extrato, mas o ideal é trabalhar sempre com o arquivo completo em PDF.

Para isso, clique em Baixar PDF e escolha Relações Previdenciárias e Remunerações.

Assim, o Meu INSS gera um documento detalhado, contendo vínculos e valores de remuneração/contribuição.

Pronto. Com esse PDF em mãos, já é possível iniciar uma análise cuidadosa.


Como analisar o CNIS?

A avaliação correta começa sempre pelo PDF completo.

A versão resumida não traz todos os dados necessários.

Na prática, a análise costuma seguir cinco etapas:

  1. Conferência dos vínculos
  2. Verificação das datas de início e fim
  3. Checagem das remunerações
  4. Avaliação dos indicadores
  5. Identificação de possíveis atividades especiais

Vamos a cada uma delas.


1. Conferência dos vínculos

Primeiro, verifique se todos os seus vínculos aparecem no extrato.

É essencial que cada emprego, benefício ou contribuição esteja registrado. Caso contrário, o INSS simplesmente ignora esses períodos.

Faça uma lista completa:

  • Empresas onde você trabalhou;
  • Benefícios recebidos (auxílio-doença, por exemplo);
  • Períodos como autônomo ou facultativo.

Use todas as suas carteiras de trabalho para não esquecer nada.

Se todos constarem no CNIS, ótimo. Caso contrário, será necessária a correção.

Dica extra: períodos que quase nunca aparecem

Alguns tempos costumam ficar fora do CNIS, como:

  • Reflexos de ações trabalhistas;
  • Trabalho rural desde os 12 anos;
  • Aluno-aprendiz em escola técnica com remuneração indireta;
  • Seminário religioso;
  • Serviço militar;
  • Pesca artesanal;
  • Entre outros.

Se você exerceu alguma dessas atividades e elas não constam no CNIS, é preciso providenciar a inclusão mediante documentação.


2. Datas de início e término

Esse é o erro mais frequente.

Na seção Relações Previdenciárias aparecem os campos Data Início e Data Fim. Muitas vezes eles vêm vazios ou incorretos.

Isso ocorre porque o sistema depende das informações prestadas pelo empregador — e nem sempre a empresa dá baixa corretamente.

Outro ponto importante: o aviso prévio integra o tempo de contribuição e deve ser considerado.

A Carteira de Trabalho, contratos e termos de rescisão ajudam a comprovar as datas reais.

Datas erradas reduzem o tempo computado e podem atrasar ou diminuir sua aposentadoria.


3. Remunerações (salários de contribuição)

Aqui está uma das etapas mais trabalhosas.

É necessário conferir mês a mês se os valores registrados correspondem à realidade, comparando com:

  • Holerites;
  • Extratos bancários;
  • FGTS;
  • Carteira de trabalho;
  • Declarações de imposto de renda;
  • CTC;
  • Outros documentos.

A média salarial é a base de cálculo dos benefícios. Qualquer erro nesses números impacta diretamente o valor da aposentadoria.


4. Indicadores

Ao lado dos vínculos e remunerações aparecem códigos chamados Indicadores.

Eles sinalizam possíveis inconsistências identificadas pelo próprio INSS.

O ideal é que estejam em branco.

Quando aparecem, é preciso consultar a legenda no final do CNIS para entender o significado e providenciar correção ou esclarecimento.

Entre os mais comuns estão:

  • PEXT: vínculo registrado fora do prazo;
  • PEMP-IDINV / PEMP-CAD: problemas cadastrais do empregador;
  • PADM-EMPR: datas incompatíveis com a existência da empresa;
  • PRPPS: período de regime próprio;
  • AVRC-DEF / ACNISVR: acertos já realizados;
  • IEAN: possível atividade especial;
  • PREC-FACULTCON: contribuição facultativa com outro vínculo ativo;
  • PREC-MENOR-MIN: recolhimento abaixo do mínimo;
  • IREM-ACD / IREM-RECL-TRAB / IDT: valores oriundos de acordos ou ações trabalhistas.

Alguns são apenas informativos, outros exigem providência imediata.


5. Atividades especiais

São aquelas exercidas sob exposição a agentes nocivos, como ruído, eletricidade, agentes químicos, biológicos ou risco à vida.

Enquadram-se aqui profissionais da saúde, segurança, eletricistas, entre outros.

Esses períodos podem gerar direito à aposentadoria especial ou permitir conversão para aumentar o tempo total.

Até 28/04/1995, inclusive, várias profissões eram consideradas especiais automaticamente.

Por isso, cada vínculo deve ser analisado com atenção.


Principais erros encontrados no CNIS

Na prática, quase todo CNIS apresenta alguma inconsistência. As mais comuns são:

  • Datas erradas;
  • Vínculos sem data de término;
  • Ausência de vínculos;
  • Vínculos fracionados;
  • Falta de remunerações;
  • Valores incorretos;
  • Salários abaixo do mínimo;
  • Indicadores.

Cada uma dessas falhas pode reduzir tempo ou valor do benefício.


Como corrigir o CNIS?

Antes de tudo, dois alertas importantes:

Alerta 1: não espere a aposentadoria para corrigir. Quanto antes, melhor.

Alerta 2: a lei garante o direito de pedir correção do CNIS a qualquer momento, mediante apresentação de provas.

Correção antes da aposentadoria

  • Ligue 135 e solicite acerto de vínculos e remunerações;
  • O pedido aparecerá no Meu INSS;
  • Anexe documentos e uma petição explicativa;
  • Aguarde análise.

Correção no momento da aposentadoria

Ao pedir o benefício:

  • Escolha a regra correta;
  • Anexe toda a documentação;
  • Inclua petição fundamentada explicando os erros do CNIS.

Atenção: pedir aposentadoria sem planejamento pode gerar prejuízos irreversíveis, pois ao sacar o benefício você aceita a regra aplicada pelo INSS.


E se o INSS negar?

Isso é mais comum do que deveria.

Se o pedido foi feito antes, você já terá vantagem, pois os documentos estarão protocolados.

Se a negativa ocorrer junto com a concessão do benefício e isso reduzir o valor, cabe pedido de revisão de aposentadoria, administrativa ou judicial.


Conclusão

O CNIS é a espinha dorsal da sua aposentadoria.

Independentemente da idade, ele deve ser acompanhado periodicamente.

Detectou erro? Corrija o quanto antes.

Em caso de dúvida, o ideal é buscar apoio técnico especializado.


Revisão de aposentadoria: por que isso importa (muito)

Algo que pouca gente percebe é que todo esse cuidado com CNIS, vínculos e salários não serve apenas para quem ainda vai se aposentar.

Ele também é essencial para quem já está aposentado.

Para quem ainda não se aposentou, uma análise completa pode:

  • Antecipar a data da aposentadoria;
  • Corrigir vínculos e salários;
  • Identificar tempo especial;
  • Planejar a melhor regra;
  • Aumentar significativamente o valor mensal do benefício.

Ou seja: você não apenas se aposenta antes — você se aposenta melhor.

Já para quem é aposentado, entra o tema da revisão de aposentadoria.

Muitos benefícios foram concedidos com:

  • salários ignorados,
  • vínculos ausentes,
  • períodos especiais não reconhecidos,
  • contribuições computadas errado.

Quando isso é corrigido, o aposentado pode ter:

  • reajuste permanente no valor mensal (para o resto da vida);
  • recebimento de atrasados, que em muitos casos chegam facilmente a dezenas ou até centenas de milhares de reais — não é raro ultrapassar R$ 100 mil ou mesmo R$ 300 mil, dependendo do histórico.

Por isso, a revisão é um serviço extremamente útil tanto para quem vai se aposentar quanto para quem já recebe benefício.

Em resumo:

👉 quem ainda não se aposentou pode antecipar e aumentar a aposentadoria.
👉 quem já é aposentado pode corrigir erros, elevar o valor mensal e receber atrasados acumulados.

São dois públicos diferentes, mas o objetivo é o mesmo: não aceitar passivamente os erros do INSS e garantir aquilo que é seu por direito.

Se existir qualquer falha no CNIS ou no cálculo do benefício, isso não é detalhe técnico — é dinheiro que sai do seu bolso todos os meses.

E, infelizmente, o INSS é hoje o maior réu do Brasil justamente por esse tipo de erro.

Por isso, análise e revisão não são luxo. São estratégia de proteção financeira.