Doenças que dão direito à aposentadoria por invalidez em 2026

Artigo atualizado conforme as regras vigentes em 2026.

Muita gente acredita que surgiu uma “nova lista” de doenças que garantem aposentadoria por invalidez. Não é bem assim. O que existe, na verdade, é uma relação de enfermidades graves que podem dispensar o cumprimento da carência mínima de 12 contribuições mensais ao INSS.

Se você recebeu o diagnóstico de uma doença séria e ainda não completou 12 meses de contribuição, este conteúdo foi preparado para esclarecer exatamente quais são seus direitos.

Ao longo do texto, você entenderá:

  • Quais doenças podem afastar a exigência de carência;
  • Quando a carência continua obrigatória;
  • Quais são os requisitos da aposentadoria por incapacidade permanente;
  • Como solicitar o benefício;
  • Como funciona o adicional de 25%.

Leia com atenção. Informação correta evita indeferimentos.


Existe lista de “novas” doenças?

Não.
Não há qualquer lista nova criada em 2026.

O que existe é uma relação já prevista em norma administrativa que define doenças graves capazes de dispensar a carência mínima tanto para:

  • Auxílio-doença (benefício por incapacidade temporária); quanto
  • Aposentadoria por invalidez (hoje chamada de aposentadoria por incapacidade permanente).

Desconfie de conteúdos sensacionalistas que anunciam “novas doenças liberadas pelo INSS”. A regra permanece a mesma.


17 doenças graves que dispensam carência

A relação oficial consta na Portaria Interministerial MTP/MS nº 22/2022, que lista 17 situações que afastam a exigência dos 12 meses de contribuição.

São elas:

  1. Tuberculose ativa
  2. Hanseníase
  3. Transtorno mental grave com alienação mental
  4. Neoplasia maligna (câncer)
  5. Cegueira
  6. Paralisia irreversível e incapacitante
  7. Cardiopatia grave
  8. Doença de Parkinson
  9. Espondilite anquilosante
  10. Nefropatia grave
  11. Estado avançado da doença de Paget
  12. HIV/Aids
  13. Contaminação por radiação
  14. Hepatopatia grave
  15. Esclerose múltipla
  16. Acidente Vascular Encefálico (agudo)
  17. Abdome agudo cirúrgico

Importante:
Essa lista não é fechada. Outras doenças graves também podem justificar a dispensa de carência, desde que comprovada a gravidade.

A seguir, explico cada uma de forma objetiva.


1) Tuberculose ativa

Doença infecciosa transmitida pelo ar, que atinge principalmente os pulmões.
Pode causar:

  • Tosse persistente
  • Tosse com sangue
  • Dor no peito
  • Perda de peso
  • Fraqueza intensa

Em quadros ativos, a carência pode ser dispensada.


2) Hanseníase

Doença infecciosa que atinge:

  • Pele
  • Nervos periféricos
  • Olhos
  • Nariz

Pode causar perda de sensibilidade, manchas na pele e deformidades.
Apesar de ter tratamento e cura, casos graves permitem afastar a carência.


3) Transtorno mental grave com alienação mental

Inclui quadros psiquiátricos severos como:

  • Esquizofrenia avançada
  • Transtorno bipolar em fase maníaca grave
  • Demências em estágio avançado

Depressão leve ou ansiedade não entram automaticamente nessa categoria.
É necessário comprovar incapacidade total e permanente.


4) Neoplasia maligna (câncer)

Câncer é o crescimento descontrolado de células anormais.

Exemplos:

  • Mama
  • Próstata
  • Pulmão
  • Pele
  • Colo do útero

Tratamentos agressivos e limitações funcionais podem justificar benefício sem carência.


5) Cegueira

A perda total da visão — inclusive visão monocular em alguns casos — permite dispensa de carência.

A limitação pode comprometer inserção profissional e autonomia.


6) Paralisia irreversível e incapacitante

Exemplos:

  • Paraplegia
  • Tetraplegia
  • Hemiplegia

Quando não há possibilidade de recuperação funcional, a carência pode ser afastada.


7) Cardiopatia grave

Doenças cardíacas severas como:

  • Insuficiência cardíaca
  • Cardiomiopatia dilatada
  • Arritmias graves
  • Doença coronariana avançada

As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de incapacidade no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde.


8) Doença de Parkinson

Doença neurológica progressiva que causa:

  • Tremores
  • Rigidez
  • Lentidão
  • Desequilíbrio

Em estágios avançados, pode impedir atividade laboral.


9) Espondilite anquilosante

Doença inflamatória da coluna que pode gerar:

  • Dor intensa
  • Rigidez severa
  • Limitação respiratória

Casos graves permitem isenção de carência.


10) Nefropatia grave

Doença renal crônica avançada.

Pode exigir:

  • Hemodiálise
  • Transplante renal

A gravidade justifica dispensa de carência.


11) Doença de Paget (estado avançado)

Afeta ossos e pode causar:

  • Deformidades
  • Fraturas
  • Dores severas
  • Complicações neurológicas

12) HIV/Aids

O vírus HIV compromete o sistema imunológico.

Mesmo com tratamento antirretroviral, casos avançados podem gerar incapacidade laboral.


13) Contaminação por radiação

Pode ocorrer por exposição ocupacional ou acidentes.

Exemplo histórico marcante:

Acidente radiológico de Goiânia

Profissões com risco incluem:

  • Técnicos de radiologia
  • Trabalhadores de usinas nucleares
  • Mineradores de urânio

14) Hepatopatia grave

Doenças graves do fígado, como:

  • Cirrose
  • Insuficiência hepática
  • Hepatite fulminante

Podem gerar incapacidade permanente.


15) Esclerose múltipla

Doença autoimune que atinge o sistema nervoso central.

Pode causar:

  • Perda de equilíbrio
  • Dificuldade para falar
  • Alterações cognitivas

É progressiva e sem cura.


16) Acidente Vascular Encefálico (AVE)

Conhecido como derrame.

Pode ser:

  • Isquêmico (obstrução)
  • Hemorrágico (rompimento)

Pode gerar sequelas permanentes.


17) Abdome agudo cirúrgico

Quadro de dor abdominal intensa com necessidade de cirurgia urgente.

Exemplos:

  • Apendicite
  • Obstrução intestinal
  • Perfuração de víscera

Outras situações que dispensam carência

Além das doenças graves, a carência também é dispensada em:

  • Acidente de qualquer natureza
  • Doença profissional
  • Doença do trabalho

Exemplo: acidente de carro que cause paraplegia.
Ou perda auditiva causada por ambiente industrial ruidoso.


Apenas essas doenças dão direito?

Não.

A lista é exemplificativa.

Qualquer doença grave que gere incapacidade total e permanente pode justificar dispensa de carência — desde que comprovada por:

  • Laudos médicos
  • Exames
  • Perícia do INSS

Requisitos da aposentadoria por invalidez

São exigidos:

  1. Incapacidade total e permanente
  2. Impossibilidade de reabilitação
  3. Comprovação documental
  4. Aprovação em perícia médica
  5. Qualidade de segurado
  6. Encerramento de auxílio-acidente (se houver)
  7. Carência de 12 meses (salvo dispensa)

Sem preencher esses critérios, o benefício pode ser negado.


Como solicitar

O pedido é feito pelo portal ou aplicativo Meu INSS:

  1. Entrar com conta gov.br
  2. Selecionar “Benefício por Incapacidade”
  3. Escolher “Pedir Novo Benefício”
  4. Anexar laudos e exames
  5. Aguardar perícia

Erros na documentação são causa frequente de indeferimento.


Como aumentar o valor do benefício

Regra geral de cálculo:

  • 60% da média das contribuições desde 1994
  • +2% ao ano que ultrapassar:
    • 15 anos (mulher)
    • 20 anos (homem)

Em caso de acidente de trabalho ou doença ocupacional, o benefício pode chegar a 100% da média.

Existe ainda o adicional de 25% para quem necessita de assistência permanente de outra pessoa.


Exemplo prático

Imagine um segurado com:

  • Média salarial: R$ 4.586,93
  • 31 anos de contribuição

Cálculo:

60% + 22% (11 anos além de 20) = 82%
82% de R$ 4.586,93 = R$ 3.761,28

Com adicional de 25%:

R$ 4.701,60


Conclusão

Não existe lista nova de doenças.

Existe uma relação de 17 enfermidades graves que podem afastar a carência — mas não são as únicas possibilidades.

O que realmente determina o direito à aposentadoria por invalidez é:

  • Incapacidade total
  • Permanência da limitação
  • Prova médica adequada
  • Cumprimento dos requisitos legais

Se você recebeu diagnóstico grave, não aja por impulso.

Organize seus exames, consulte especialista em Direito Previdenciário e faça o pedido da forma correta.

Saúde em primeiro lugar. Direitos bem fundamentados evitam negativas.